22 de mar de 2010

Tribuna da Bahia: PT teme perder espaços com aliança na proporcional

fernanda chagas
O Partido dos Trabalhadores na Bahia e as legendas aliadas ao governador Jaques Wagner têm deixado claro que a insatisfação deles não passa exclusivamente pela inusitada costura de alianças com os ex-carlistas Otto Alencar (PP) e César Borges (PR), que podem integrar a chapa a reeleição do governador. Na verdade, os petistas – sobretudo os da esquerda – estão amedrontados com os efeitos que essa coligação pode trazer para a disputa proporcional, ou seja, para a Assembleia e a Câmara dos Deputados. Caso existam condicionamentos para essa aliança acontecer, os integrantes do PT, PCdoB e PSB temem perder cadeiras em detrimento dos novos aliados.
A ideia do governador Jaques Wagner é fechar uma grande composição com os principais partidos que o apóiam. E é exatamente isso o que os petistas temem, já que terão que disputar espaços com os novos “companheiros”. Os novatos, tidos como grandes ameaça, são o PP e o PR.
Uma manifestação formal do diretório estadual para que ocorram mudanças na condução do processo de formação da chapa, está marcada para o próximo dia 28. A informação foi passada pelo ex-presidente da legenda, atualmente integrante do Grupo de Trabalho Eleitoral nacional e também superintendente da Pesca na Bahia, Marcelino Galo, que também é contrário à condução da estratégia. Naturalmente, outros assuntos pertinentes à sigla estarão em pauta, mas esse, sem dúvida, será o principal.
Para ele, o “chapão”, como é classificado a possibilidade de união, não é boa para o partido. “Defendo que várias composições deverão ser feitas, mas temos que ser os protagonistas da história e não correr riscos. Sem falar, que isso tem que ser definido pelo partido, afinal o PT tem muito a oferecer para a sociedade”, declarou.
O deputado estadual J. Carlos foi ainda mais longe e se disse totalmente contrário a essa possibilidade. “Só quem vai perder é o PT. Temos a meta de fazer 14 ou 15 deputados e com essa coligação pode não chegar a seis”, disparou, complementando que “da maneira que as coisas caminham inevitavelmente o partido encolherá”.
Entre os petistas, a avaliação é de que, numa coligação para federal, o PR tomaria de cara quatro vagas de deputados do PT, o que os petistas consideram um indigno genocídio parlamentar. No campo estadual, o quadro seria ainda mais dramático porque os republicanos têm seis candidatos colocados, três dos quais opositores declarados ao governo – Sandro Régis, Elmar Nascimento. O ideal, segundo eles, é que houvesse três coligações distintas, encabeçadas por PT, PDT e PP, o que propiciaria uma maior quantidade de candidaturas, ampliando a participação das bases na campanha, com reflexos positivos para a chapa majoritária.

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